Associação Paulista
de Saúde Pública

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30/10/2007 - Especial X Congresso Paulista de Saúde Pública - nº 3
 
          

  1. Profissionais da área de Saúde discutem assuntos diversos e polêmicos
  2. Depoimento: Sozinho Francisco Matsinhe

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


1. Profissionais da área de Saúde discutem assuntos diversos e polêmicos (índice)

O segundo dia do X Congresso Paulista de Saúde Pública apresentou painéis com assuntos diversos, que prenderam a atenção da platéia.

 Um dos assuntos discutidos foi “Aborto: integridade e direitos reprodutivos no SUS”, apresentado por Maria José Rosado (PUC/SP), Margareth Arilha (Prosare) e Aníbal Faundes (Unicamp), coordenado por Marta Campagnoni Andrade (SES-SP).

 Maria José Rosado, da PUC/SP apresentou seu trabalho ligado à ONG “Católicas pelo direito de decidir”, que luta pelo direito da mulher em optar pelo aborto. Segundo ela, a mulher sempre foi vista como reprodutora – voltada para a maternidade e jamais com a visão da sexualidade. “As articulações religiosas que atuam sobre os poderes das esferas municipal, estadual e federal, além da mídia, são os segmentos que mais pressionam a mulher. É preciso mudar esse comportamento e buscar a regulamentação do aborto, como já ocorre em outros países”, opina.

 Outro painel apresentado foi “Mudanças atuais no mundo do trabalho e saúde dos trabalhadores”, com Herval Pina Ribeiro (Unifesp), Francisco Lacaz (Unifesp) e Ludmila Braga (FMB-Unesp), coordenado por Maria Binder (FMB-Unesp). Foi realizada uma retrospectiva dos problemas de saúde que acompanham os trabalhadores e um estudo feito com os profissionais de saúde que atuam na cidade de Botucatu.

 “Modelos de atenção básica e a produção do cuidado em saúde: Avanços e Desafios” foi tratado por Ana Luiza Viana (FM-USP), Elen Castanheira (FMB-Unesp) e Silvana Mishima (EERP-USP), coordenado por José Ricardo Ayres (FM-USP). A discussão  apresentou os dados sobre a pequena extensão do  serviço de PSFs nas grandes cidades, considerando aquelas com mais de 100 mil habitantes.

 O foco da discussão, então passou para a produção do cuidado em saúde, baseada no princípio de compartilhamento de saberes e responsabilidades. Os profissionais de saúde e os usuários da rede tendem a se beneficiar da comunicação ampliada produzida por esse compartilhamento.

 A programação da manhã foi encerrada com a conferência “Saúde, sociedade e  o SUS: o imperativo do sujeito” com Gastão Wagner (FCM-Unicamp). O professor titular da Unicamp discutiu que a Saúde é a co-produção singular do ser humano e de seus atributos. Como outros campos da vida, a saúde se constrói na relação dos sujeitos numa relação que nunca será de autonomia total, mas que não deve ser de dependência dos profissionais da saúde.

 Os modos de vida dos sujeitos são importantes determinantes para que possamos avaliar a melhor maneira de trocar com as pessoas a responsabilidade sobre seu destino e, portanto, sua saúde.

 

 

 

  

 

  

 

 

 

 


2. Depoimento: Sozinho Franscisco Matsinhe (índice)

Professor de Lingüística na University of South África, Sozinho Francisco Matsinhe é moçambicano e está no Brasil pela primeira vez, vindo especialmente para participar do X Congresso Paulista de Saúde Coletiva.

 Para ele, deve haver uma comunicação efetiva entre os profissionais de saúde e a comunidade e, essa comunicação não deve ser vertical. Isto é, não pode existir barreiras para que a informação não sofra ruídos e a população compreenda a mensagem.

 Embora não conheça a saúde pública brasileira, Matsinhe acredita haver um denominador comum entre o Brasil, Moçambique e Angola no sentido de servir o usuário da melhor forma e, assim, trazer resultados positivos para as partes envolvidas. A cooperação entre esses países torna-se importante para a troca de experiências e conhecimentos profissionais.

 “Eu conhecia o Brasil apenas pelo samba, futebol e novelas, como Roque Santeiro e Escrava Isaura, mas neste Congresso pude conhecer o outro Brasil, que está preocupado em buscar novas alternativas para a saúde pública”, acrescenta o professor Sozinho Francisco Matsinhe.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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