O segundo dia do X Congresso
Paulista de Saúde Pública apresentou painéis com assuntos diversos, que
prenderam a atenção da platéia.
Um dos assuntos discutidos
foi “Aborto: integridade e direitos reprodutivos no SUS”, apresentado
por Maria José Rosado (PUC/SP), Margareth Arilha (Prosare) e Aníbal
Faundes (Unicamp), coordenado por Marta Campagnoni Andrade (SES-SP).
Maria José Rosado, da
PUC/SP apresentou seu trabalho ligado à ONG “Católicas pelo direito de
decidir”, que luta pelo direito da mulher em optar pelo aborto. Segundo
ela, a mulher sempre foi vista como reprodutora – voltada para a
maternidade e jamais com a visão da sexualidade. “As articulações
religiosas que atuam sobre os poderes das esferas municipal, estadual e
federal, além da mídia, são os segmentos que mais pressionam a mulher. É
preciso mudar esse comportamento e buscar a regulamentação do aborto,
como já ocorre em outros países”, opina.
Outro painel apresentado
foi “Mudanças atuais no mundo do trabalho e saúde dos trabalhadores”,
com Herval Pina Ribeiro (Unifesp), Francisco Lacaz (Unifesp) e Ludmila
Braga (FMB-Unesp), coordenado por Maria Binder (FMB-Unesp). Foi
realizada uma retrospectiva dos problemas de saúde que acompanham os
trabalhadores e um estudo feito com os profissionais de saúde que atuam
na cidade de Botucatu.
“Modelos de atenção básica
e a produção do cuidado em saúde: Avanços e Desafios” foi tratado por
Ana Luiza Viana (FM-USP), Elen Castanheira (FMB-Unesp) e Silvana Mishima
(EERP-USP), coordenado por José Ricardo Ayres (FM-USP). A discussão
apresentou os dados sobre a pequena extensão do serviço de PSFs nas
grandes cidades, considerando aquelas com mais de 100 mil habitantes.
O foco da discussão, então
passou para a produção do cuidado em saúde, baseada no princípio de
compartilhamento de saberes e responsabilidades. Os profissionais de
saúde e os usuários da rede tendem a se beneficiar da comunicação
ampliada produzida por esse compartilhamento.
A programação da manhã foi
encerrada com a conferência “Saúde, sociedade e o SUS: o imperativo do
sujeito” com Gastão Wagner (FCM-Unicamp). O professor titular da Unicamp
discutiu que a Saúde é a co-produção singular do ser humano e de seus
atributos. Como outros campos da vida, a saúde se constrói na relação
dos sujeitos numa relação que nunca será de autonomia total, mas que não
deve ser de dependência dos profissionais da saúde.
Os modos de vida dos
sujeitos são importantes determinantes para que possamos avaliar a
melhor maneira de trocar com as pessoas a responsabilidade sobre seu
destino e, portanto, sua saúde.
Professor de Lingüística na
University of South África, Sozinho Francisco Matsinhe é moçambicano e
está no Brasil pela primeira vez, vindo especialmente para participar do
X Congresso Paulista de Saúde Coletiva.
Para ele, deve haver uma
comunicação efetiva entre os profissionais de saúde e a comunidade e,
essa comunicação não deve ser vertical. Isto é, não pode existir
barreiras para que a informação não sofra ruídos e a população
compreenda a mensagem.
Embora não conheça a saúde
pública brasileira, Matsinhe acredita haver um denominador comum entre o
Brasil, Moçambique e Angola no sentido de servir o usuário da melhor
forma e, assim, trazer resultados positivos para as partes envolvidas. A
cooperação entre esses países torna-se importante para a troca de
experiências e conhecimentos profissionais.
“Eu conhecia o Brasil
apenas pelo samba, futebol e novelas, como Roque Santeiro e Escrava
Isaura, mas neste Congresso pude conhecer o outro Brasil, que está
preocupado em buscar novas alternativas para a saúde pública”,
acrescenta o professor Sozinho Francisco Matsinhe.